ADEUS BRASIL, TERRA DOS “PAPAGAIOS”, BOM DIA JAPÃO, TERRA DO “FILÉT MIGNÓN”.
“A SAGA DE UM MENINO DE CERQUEIRA CÉSAR”.
Em 7 de julho de 1972
Por Mauro Zaloti Gibo
CAPITULO 1 - BOAS NOTÍCIAS, O DESTINO BATE NA MINHA PORTA
Foi
num
domingo de manhã bem cedinho. Despertei ao ouvir batidas na porta de
minha casa, ali na rua Porfirio Dias, em Cerqueira César, interior
de São Paulo, onde residia já há alguns anos. Levantei-me e
esfregando os olhos, ainda com sono, fui abrir a porta da sala e
deparei com dois orientais, provavelmente japoneses, que me
cumprimentaram e perguntaram por meu pai. Disse-Ihes para que
entrassem e esperassem um momento, que iria chamar meu pai, que ainda
estava dormindo. Assim que meu pai veio atendê-los, um dos japonêses
dirigiu-se à meu pai e lhe disse que estavam procurando por um
nissei por nome de Shinko Gibo. Meu pai contestou, dizendo que se
chamava Osvaldo Giba, mas que quando criança recordava ser chamado
de “Shinko” pelos japonêses que moravam na vizinhança.
- É
você mesmo que há muitos anos estávamos procurando, disse o
japonês que havia se dirigido à meu pai. Eu sou Seiko Oshiro e este
é o sr. Toku Arakaki. Chegamos de São Paulo ontem à noite e
pernoitamos num hotel em frente à estação porque já era muito
tarde e resolvemos procurar sua casa hoje de manhã. Pedimos ajuda ao
sr. João Tokugava, seu vizinho, proprietário do Empório São Jorge
e ele nos indicou o local de sua casa. Pelo que nos disse que quando
criança o chamavam de Shinko e pelos quadros de seu pai e avô que
estão pendurados na parede desta casa, não nos resta dúvida que és
a pessoa que estamos procurando. Podia se notar a alegria no rosto
dos dois japonêses ao ter encontrado meu pai.
-Somos
seus parentes de Okinawa, Japão e estamos muito felizes de,
finalmente, havê-lo encontrado, disse o sr. Oshiro, que falava um
pouco de português.
Meu pai ficou surpreendido e emocionado ao
ver pela primeira vez seus parentes de Okinawa.
-Não consigo acreditar nos meus olhos, disse ele. Quando meu pai faleceu eu tinha somente um ano de idade, porisso, praticamente não o conheci. Minha mãe é brasileira e depois que meu pai faleceu em Santos, mudamos aqui para Cerqueira César e nunca mais tivemos contato algum com os familiares do Japão. Isto já faz trinta e cinco anos.
Meu pai pediu-me que chamasse minha mãe e meus irmãos para que fossem apresentados aos visitantes. Assim que entraram na sala, meu pai apontou para minha mãe e disse:
Esta é minha esposa Elza, este, apontando para mim, é o meu filho mais velho Mauro, esta é a Dirlene, esta é a Iva Maria, este é o Samuel, este é o Laércio, esta é a Zilei Aparecida, esta é a Cleide e esta é minha filha caçula a Eleni. Tenho oito filhos.
Todos
nós
cumprimentamos os dois parentes, que sorriam alegremente ao saber que
meu pai estava casado e que tinha muitos filhos. Sentamos todos no
sofá ali na sala, à ouvir nossos parentes explicarem o motivo da
inesperada visita:
- Eu e o sr. Arakaki moramos em São Paulo. Já
à
trinta anos que o estamos procurando. Colocamos anúncios nos jornais
das colônias japonesas pedindo informações sobre você, procuramos
por todas as colônias e cidades onde havia japoneses mas ninguém o
conhecia. Finalmente, uma pessoa de São Paulo nos comunicou que
conhecia um japonês mestiço que morava em Cerqueira César e cujo
nome era Giba. Tínhamos poucas esperanças de que você fosse a
pessoa que procurávamos já que o nome era um pouco diferente: Giba,
e não Gibo. Mesmo assim tomamos o trem na Estação Júlio Prestes,
em São Paulo e viemos até aqui em Cerqueira César, para ter
certeza do que imaginávamos.